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O técnico Adilson Batista está deixando o comando do São Paulo após uma série de seis jogos sem vitórias. Em seu lugar, assumirá interinamente o cargo Milton Cruz, coordenador técnico do clube que ocupava, há três meses, o mesmo posto que agora reassume.
Este é um filme que o são-paulino já viu. Milton Cruz segue para a sua 14ª interinidade no Tricolor. Normalmente, o torcedor não costuma ficar insatisfeito. Na última ocasião, em julho deste ano, após a saída de Paulo César Carpegiani, o coordenador esteve à frente da equipe nas vitórias sobre o Cruzeiro (2 a 1) e sobre o Internacional (3 a 0), ambas pelo Campeonato Brasileiro.
À época, houve quem defendesse que o interino deveria se tornar permanente, que não fazia sentido tirar um treinador que levou o time a duas vitórias, ainda mais em um momento de crise na equiipe.
E sempre houve vozes, entre a torcida são-paulina e entre a imprensa esportiva, que afirmam que Milton Cruz, que está no clube do Morumbi desde a década de 1990, jamais teve o reconhecimento devido por parte dos dirigentes, que o considerariam um bom "quebra-galhos" e nada mais.
A realidade, porém, é outra. Seu cargo no São Paulo, de coordenador técnico, lhe concede uma estabilidade que jamais alcançaria sendo treinador. Sua posição é uma espécie de conselheiro permanente da comissão técnica. Os técnicos vão e vêm. Milton Cruz, fica.
O atual interino conhece muito bem a natureza da sua posição, e está satisfeito com ela. Quando assume temporariamente a cadeira de técnico, costuma influenciar na escolha de seu sucessor. Foi assim com Adilson Batista, nome que ajudou o São Paulo a escolher. Foi assim com Paulo César Carpegiani, o técnico anterior.
Cruz goza de boa reputação com a torcida. Costuma ser conciliador e, na medida do possível, prestigiar os atletas que caem na graça do torcedor. Na interinidade da vez, terá o desafio de conciliar o desejo do torcedor de ver Rivaldo como titular com a dificuldade em montar um meio campo que seja veloz e tenha espaço para abrigar Denilson, Lucas e Casemiro.
Os dois últimos, aliás, são atletas formados nas categorias de base do São Paulo. Quem observou a qualidade técnica dos jogadores, em 2009, e sugeriu ao então técnico do Tricolor, Ricardo Gomes, que eles tinham potencial para serem testados no time principal foi Milton Cruz.
Discreto, ele assim define sua função e atuação no São Paulo: "Eu contribuo para o clube sabendo sempre que a última palavra é do treinador e diretoria. Nunca passei por cima de técnico nenhum, nem quero. Alguns auxiliares tentam derrubar técnico. Eu que sugeri a vinda do Carpegiani. Sou amigo de todos os técnicos. Isso é importante, porque continuo trocando informações com eles".
Fonte: UOL Esporte

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